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‘Você é nosso líder, conte comigo pra qualquer parada’

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Julia Affonso 16/11/2017, 05h15 Em e-mail, deputado estadual Paulo Melo (PMDB), alvo da Cadeia Velha, demonstra lealdade ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), alvo da Calicute e da Lava Jato

Deputado Paulo Melo à esquerda. Foto: Fabio Motta/Estadão

A lealdade do deputado estadual Paulo Melo (PMDB), alvo da Operação Cadeia Velha – desdobramento da Lava Jato -, ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral pôde ser medida, segundo investigação do Ministério Público Federal da 2.ª Região, por um e-mail de junho de 2014.

Na mensagem, Melo exalta Cabral, então recém-saído do Palácio Guanabara. “Excelente!!! Vc é nosso líder, acredito que tudo que faz e pensando o melhor pro nosso grupo. Conte comigo pr qualquer parada. Abs.”

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Foto: Reprodução/MPF

O e-mail de Paulo Melo era uma resposta a um texto que Sérgio Cabral havia divulgado em redes sociais. Na mensagem, o ex-governador informava que não concorreria ao Senado naquele ano.

“Com vinte e quatro anos de mandatos consecutivos conferidos generosamente pela população do meu estado, abdico da candidatura ao Senado Federal, cargo que já tive a honra de exercer, pelo que moveu toda a minha vida pública: o Rio de Janeiro. Estamos concluindo a formação de uma aliança que tem por objetivo garantir as conquistas sociais e econômicas que o meu governo promoveu nos últimos 7 anos e 6 meses e que tem na candidatura do governador Pezão a segurança de sua continuidade e as condições para trazer mais avanços à vida da população”, afirmou Sérgio Cabral, na ocasião.

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Melo teve a prisão requerida pelo Ministério Público Federal. Nesta quinta-feira, 16, o Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF2) deve analisar o pleito, que também mira os colegas pemedebistas Edson Albertassi e Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio.

O deputado Paulo Melo é suspeito de receber, sob o codinome ‘Pinguim’, R$ 54,305 milhões. Os valores teriam sido pagos entre 31 de agosto de 2010 e 28 de maio de 2015, via operador financeiro Álvaro Novis, delator da Operação Lava Jato.

Do montante, segundo a Cadeia Velha, R$ 38,625 milhões foram transferidos por ordem do empresário José Carlos Lavouras, presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). O restante teria sido repassado por determinação de Sérgio Cabral, via Álvaro Novis.

A Cadeia Velha aponta que a maior parte dos pagamentos foi feita no período em que Melo ocupou a presidência da Assembleia do Rio. As entregas, diz a investigação, foram feitas, ‘na maior parte das vezes, pela transportadora Trans-Expert, que usava carros comuns blindados’.

“As provas dos autos também revelam que Paulo Melo é outro integrante da organização criminosa”, relatou o Ministério Público Federal, ao pedir a prisão do deputado ao desembargador Abel Gomes, do TRF2.

Segundo a Procuradoria, ‘trata-se de um dos mais influentes políticos do Estado’. Paulo Melo é deputado estadual desde 1990 e está em seu sétimo mandato.

“Paulo Melo sempre foi um forte aliado político do então governador Sérgio Cabral, inclusive o ajudou a barrar a iniciativa da oposição de criar uma CPI no legislativo do estado para cobrar do governador explicações sobre suas ligações com a Delta”, relatou o Ministério Público Federal.

“O perfil profissional e patrimonial do deputado Paulo Melo segue o mesmo padrão de Jorge Picciani. Aumento exponencial a partir do seu ingresso na política, decorrente de atuação em ramos propícios à lavagem de dinheiro, como imobiliário e gado, bem como sociedade com fornecedores do Estado, com atos, tanto do legislativo, como executivo beneficiando seus negócios, seus sócios e sua base eleitoral.”

COM A PALAVRA, O DEPUTADO PAULO MELO

A reportagem entrou em contato com o gabinete do deputado Paulo Melo. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, JORGE PICCIANI

“O que aconteceu hoje com meu filho é uma covardia feita para atingir tão somente a mim. “

“Felipe é um zootecnista, bom pai, bom filho, bom amigo, que trabalha de sol a sol e não tem atuação política. Todos que o conhecem o respeitam e sabem do seu caráter e correção.”

“Nossa família atua há 33 anos no ramo da pecuária, onde ingressei antes de me eleger deputado. Com trabalho duro, nos transformamos numa das principais referências em alta genética do País. Trinta e três anos não são trinta e três dias.”

“A indicação do nome do deputado Edson Albertassi para integrar o TCE foi do governador Luiz Fernando Pezão e aconteceu mediante ao fato de os três auditores a quem caberia a indicação terem decidido não concorrer pelo fato de ainda estarem no período de estágio probatório, o que foi avaliado por eles como insegurança jurídica. Diante da determinação da Justiça, pedindo 72 horas para esclarecimentos, eu já havia inclusive suspendido a votação da indicação que estava prevista para hoje no plenário. “

“Em toda a minha carreira jamais recebi qualquer vantagem em troca de favores. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro não atua a serviço de grupos de interesse, NÃO INTERFERE em aumento de tarifas E NÃO VOTOU ISENÇÃO DE IPVA PARA ÔNIBUS, porque isso foi feito por decreto pelo ex-governador (decreto 44.568 de 17/01/2014), quando eu nem sequer tinha mandato. São portanto falsas as acusações divulgadas.”

“Para quem não compreende o funcionamento da Alerj, é preciso esclarecer.”

“1. A Alerj é uma Casa plural. Há uma série de instâncias decisórias anteriores ao plenário, a começar pelas Comissões Técnicas Permanentes, como a de Constituição e Justiça, Saúde, Educação, Transportes, Direitos Humanos, etc. Os membros das Comissões Técnicas são indicados pelos líderes partidários e a presidência de cada uma delas, eleita por esse colegiado. Há, ainda, o Colégio de Líderes, convocado sempre que há pautas complexas ou com grande número de emendas. As discussões no Colégio de Líderes, que visam a obter consensos mínimos para as votações em plenário, reúnem dezenas de deputados. Por fim, há a instância do Plenário, onde votam os 70 deputados, cujas sessões são televisionadas, abertas ao público e à imprensa.”

“2. Em segundo lugar, nos meus seis mandatos como presidente da Alerj (de 2003-2010 e de 2015 até o presente momento), estabeleci relações institucionais com os setores organizados da sociedade, sobretudo os empresariais. Foi com esse objetivo que, em 2003, criei o Fórum Permanente de Desenvolvimento da Alerj, que hoje reúne 41 entidades da sociedade civil organizada. Desde que foi criado o Fórum, nunca mais houve uma denúncia sequer de CPIs que tentavam extorquir empresários, comuns no passado. Passamos, através do Fórum, a ter um canal de diálogo institucional, que não havia antes.”

“3. A produção legislativa da Alerj é a maior prova da independência da sua atuação em relação a interesses de grupos e setores, prevalecendo o interesse público. Alguns exemplos no que tange especificamente ao setor de transportes:”

“* Gratuidade para estudantes da rede pública, pessoas com deficiência e maiores de 65 anos nos transportes. (Lei 3.339/99, ampliada pela Lei 4.291/04) e reserva de assentos exclusivos para gestantes e pessoas com deficiência (Lei 1.768/90);”

“* Lei 6.712/14, que determina a disponibilização de redes WiFi em todos os terminais de transportes do estado, ficando a instalação a cargo das empresas responsáveis pelos terminais;”

“* Gratuidade para estudantes (vale educação) e para pessoas com deficiência e doença crônica (vale social) nos ônibus; intermunicipais (Lei 4.510/05, ampliada pela Lei 7.123/15);”

“* Controle por biometria de gratuidades e bilhete único nos transportes (Lei 7123/15);”

“* Derrubada do veto do governador a um parágrafo da Lei 5.628/09, que destina as sobras dos cartões eletrônicos ao Fundo Estadual de Transportes. Essa medida havia sido incluída pela Alerj em dezembro de 2016. O veto foi derrubado em abril de 2017 (Lei 7.506/16);”

“* Vagões exclusivos para mulheres em trens da Supervia e Metrô ( Lei 4.733/2006)”

“* Ampliação do prazo para comprovação de renda de usuários do Bilhete Único, de 60 para 90 dias, evitando a perda do direito por usuários que recebem até R$ 3.209. (Lei 7.605/2017). “

“3. A vigilância permanente exercida pelos próprios parlamentares e pela sociedade, através da imprensa, das mídias digitais e dos mecanismos de controle existentes nos deixa permanentemente sob escrutínio público, de quem dependemos, a cada quatro anos, para renovar nossos mandatos.”

“Não tenho nem nunca tive conta no exterior. Não conheço Álvaro Novis, nunca o vi, nem sei onde fica seu escritório. Tampouco conheço seus funcionários.”

“Meu patrimônio é absolutamente compatível com a renda oriunda das minhas atividades empresariais e isso já foi comprovado em investigação que durou dois anos e foi devidamente arquivada, em 2006, pela unanimidade – repito, pela unanimidade – dos votos do Conselho Superior do Ministério Público Estadual.”

“O tempo vai se encarregar de desmascarar essa covardia em curso. A tentativa de me envolver não pode ser maior que os fatos. “

“Atenciosamente,”

“Jorge Picciani”

R$ 38.625.000,00 = 74.854 Caminhões-pipa
Linhas existentes - 335 km
Linhas que poderiam existir - 934 km
N

São Paulo

10 km
Vacinas dos últimos anos
Vacinas que poderiam ser compradas
Aedes aegypti - transmissor da Dengue / Chicungunya / Zica
Nº de repelente
14.964 casos de 2013 a 2016
1.125 cartelas de Tamiflu
225 casos por H1N1
Foto: Gabriela biló | Fonte base conversão: Estadão

Neste momento em que o País passa por uma situação crítica, com deficiência de serviços públicos básicos, diariamente há um volume de denúncias e suspeitas de desvio de dinheiro de proporções sempre surpreendentes. Milhares, milhões, bilhões. São cifras tão grandes que fica difícil para os leitores entender a real dimensão do problema. Com a ferramenta “De Real para Realidade”, o leitor vai poder interagir com as matérias do jornal, convertendo as quantias em benefícios como vacinas H1N1, ambulâncias, repelentes, casas populares, quilômetros de metrô, entre outros, conectando as notícias de onde o dinheiro desaparece com as notícias de onde ele está faltando.

Fonte base conversão: Estadão
O valor base de conversão de Ambulâncias é de R$ 82.406, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Ambulância: R$ 82.406
O valor base de conversão de Caminhões-pipa é de R$ 516 (15 mil litros), baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Caminhão-pipa: R$ 516 (15 mil litros)
O valor base de conversão de Casas Populares é de R$ 200.000, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Casa Popular: R$ 200.000
O valor base de conversão de Quilômetros de Metrô é de R$ 296.000.000, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Km de Metrô: R$ 296.000.000
O valor base de conversão de Merendas Escolares é de R$ 2,22, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Merenda Escolar: R$ 2,22
O valor base de conversão de Quadras Poliesportivas é de R$ 44.450, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Quadra Poliesportiva: R$ 44.450
O valor base de conversão de Repelentes é de R$ 12, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Repelente: R$ 12
O valor base de conversão de Tamiflus é de R$ 199 (75mg), baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Tamiflu: R$ 199 (75mg)
O valor base de conversão de Vacinas H1N1 é de R$ 120, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Vacina H1N1: R$ 120
O valor base de conversão de Viaturas Policiais é de R$ 51.266 (Palio Weekend), baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Viatura Policial: R$ 51.266 (Palio Weekend)