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‘Não estava de santo nessa história’, disse Palocci ao incriminar Lula

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Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Luiz Vassallo e Julia Affonso 10/09/2017, 10h11 De ex-homem forte do governo do PT a colaborador da Lava Jato, ex-ministro acusa ex-presidente de ser maior beneficiário da corrupção na Petrobrás, se coloca como \'engrenagem\' no esquema, mas confessa seus \'ilícitos\' em busca de redução de pena com Moro

Antonio Palocci em depoimento a Moro. Foto: Reprodução

O ex-homem forte dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e principal elo do PT com o empresariado e o setor financeiro, Antonio Palocci confessou ao juiz federal Sérgio Moro, na última quarta-feira, 6, a existência do mega esquema de corrupção na Petrobrás, denunciado pela Operação Lava Jato, imputou mortalmente responsabilidade maior ao ex-presidente Lula e reconheceu sua culpa: “Desculpa doutor, eu não estava de santo na história não”.

A história é a da aliança espúria entre Lula, PT e a Odebrecht para eleger Dilma, em 2010, e afastar o risco de resistência de sua sucessora de endurecer as relações “fluídas” da empresa com o governo. Negociata em que assumiu ter participação direta como responsável pela conta “Italiano”, das planilhas da máquina de fazer propinas da empreiteira, que teve à disposição R$ 300 milhões para uso em campanhas e para benesses.

“Fizemos uma operação bastante condenável.”

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Preso desde outubro de 2016 pela Lava Jato, condenado a 12 anos e 2 meses de prisão e em busca de uma acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, Palocci confessou em ação penal contra Lula, ele, Marcelo Odebrecht e outros pelo acerto de R$ 12 milhões de propinas em forma do repasse de um terreno para o Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP).

Ouvido como réu, o ex-ministro da Fazenda de Lula, de 2003 a 2006, e da Casa Civil de Dilma, em 2011, coordenador da campanha de 2010 disse que a corrupção na Petrobrás tinha Lula como maior beneficiado. Palocci revelou um “pacto de sangue” feito com o dono da Odebrecht, Emílio Odebrecht, para repasse de R$ 300 milhões em propinas, um terreno de R$ 12 milhões para o Instituto Lula, um apartamento de meio milhão em São Bernardo e a reforma do sítio de Atibaia (SP). Tudo contrapartida por negócios da empresa com o governo. (Assista aos 14min do vídeo 1)

Em cerca de quatro horas de depoimento, Palocci se coloca como uma engrenagem da estrutura de propinas e admite que conversava com o empresário Marcelo Odebrecht – delator preso desde junho de 2015 – sobre os recebimentos de propinas. Palocci disse que preferia não tratar de valores com Odebrecht nem teve relação com a planilha de controle que o empresário montou. “De novo, não estou me colocando de santo. Mas eu preferia não estabelecer limites porque a minha conta com ele não tinha limites. Não ia eu estabelecer com ele parâmetros limitadores.”

A Moro, o ex-ministro disse que na operação de repasse pela Odebrecht do terreno em São Paulo, em 2010, que serviria de sede para o Instituto Lula e é objeto da ação penal, teria ido contra e orientou o ex-presidente a não fazê-la da forma proposta pelo pecuarista José Carlos Bumlai e pelo advogado Roberto Teixeira – amigos do ex-presidente. Palocci diz ter avisado Lula: ‘Nosso ilícito com a Odebrecht já está monstruoso’.

“Eu disse para ele (Lula), ‘nosso ilícito com a Odebrecht já está monstruoso. Se nós fizermos esse tipo de operação vamos criar uma fratura exposta desnecessária.”

O imóvel seria comprado por Bumlai e Teixeira, com dinheiro do setor de propinas da Odebrecht, e registrado em nome de um laranja. A compra chegou a se efetivar, mas depois do apêlo que ele teria feito a Bumlai, Teixeira, ao ex-presidente  e a ex-primeira-dama Marisa Letícia (morta em fevereiro).

Segundo Palocci, a denúncia da Lava Jato contra Lula e ele procede. “Os fatos são verdadeiros. Eu diria apenas que os fatos desta denúncia dizem respeito a um capítulo de um livro um pouco maior do relacionamento da Odebrecht com o governo do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma, que foi uma relação bastante intensa, bastante movida a vantagens, a propinas pagas pela Odebrecht para agentes públicos, em forma de doação de campanha, de benefícios pessoais, em forma de caixa 1 e caixa 2.”

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Transformado em traidor maior do PT, desde que virou colaborador da Lava Jato, o petista afirma que decidiu falar para buscar na Justiça benefícios previstos em lei – paralelamente às tratativas com os procuradores da Lava Jato por uma delação. Em agosto, o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, que tenta também uma delação com o MPF, trilhou o mesmo caminho. Confessou seus crimes e incriminou Lula. Moro reconheceu a colaboração e limitou sua pena de prisão em regime fechado a 5 anos – Duque era condenado já a 50 anos.

Questionado sobre um acordo de delação pela defesa, Palocci confirmou estar em tratativas com a Lava Jato. Ao ser perguntado sobre uma reunião, pela procuradora Isabel Groba, Palocci disse não se lembrar, mas que poderia dar detalhes se fosse dado mais dados sobre o caso. “Não quero esconder nada.”

Documento

Treinado. Em um dos trechos do depoimento, quando era questionado pelo advogado de Lula, o criminalista Cristiano Zanin Martins, sobre os motivos de a Odebrecht custear o terreno para o Instituto, Palocci pediu desculpas a Moro por tratar a empresa como uma “colaboradora” nas explicações.

“Porque o doutor Bumlai e o doutor Roberto Teixeira sabiam que a Odebrecht era uma colaboradora… Colaboradora talvez seja uma palavra… O senhor desculpa (dirigindo-se ao juiz), às vezes eu sou… 30 anos treinado para falar dessa forma… (Sabiam) que a Odebrecht dava propinas frequentes ao presidente Lula e ao PT. Como se tratava de uma pagamento de propina, imaginaram que a Odebrecht poderia pagar esse terreno.” (Ouça aos 10min50s do vídeo 4)

O ex-ministro, que era o “Italiano” das planilhas da propinda da Odebrecht para o PT – conta que controlava milhões em propinas -, disse que pelos pagamentos que a empresa fez, ela recebeu benefícios em contratos com o governo, especificamente citando a Petrobrás.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO DE LULA

O advogado Cristiano Zanin Martins, defensor do ex-presidente Lula, declarou em nota.
“Palocci muda depoimento em busca de delação. O depoimento de Palocci é contraditório com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas.

Preso e sob pressão, Palocci negocia com o MP acordo de delação que exige que se justifiquem acusações falsas e sem provas contra Lula.

Como Léo Pinheiro e Delcídio, Palocci repete papel de validar, sem provas, as acusações do MP para obter redução de pena.

Palocci compareceu ato pronto para emitir frases e expressões de efeito, como “pacto de sangue”, esta última anotada em papéis por ele usados na audiência.

Após cumprirem este papel, delações informais de Delcídio e Léo Pinheiro foram desacreditadas, inclusive pelo MP.”
Cristiano Zanin Martins

R$ 12.000.000,00 = 1.000.000 Repelentes
Linhas existentes - 335 km
Linhas que poderiam existir - 934 km
N

São Paulo

10 km
Vacinas dos últimos anos
Vacinas que poderiam ser compradas
Aedes aegypti - transmissor da Dengue / Chicungunya / Zica
Nº de repelente
14.964 casos de 2013 a 2016
1.125 cartelas de Tamiflu
225 casos por H1N1
Foto: Clayton de Souza | Fonte base conversão: Estadão

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